O que nós (mulheres) devemos saber sobre a Endometriose

endometrioseCólicas intensas, dor durante e após a relação sexual e infertilidade são apenas alguns dos sintomas dessa doença que atinge cerca de 7 a 10 milhões de mulheres no Brasil.
Mas vamos por partes que é melhor e mais fácil de entender a importância desse problema e porque devemos nos cuidar.
Antes de qualquer coisa você deve saber que…
O endométrio é uma mucosa que reveste a parede interna do útero e onde o óvulo se implanta depois de fertilizado.
No entanto, se não houver essa fecundação, boa parte do endométrio é eliminada durante a menstruação. O que sobra volta a crescer e o processo todo se repete a cada ciclo. endometrio
A endometriose é uma doença caracterizada pela presença de endométrio fora do útero. 
As células do endométrio em vez de serem expelidas na menstruação, migram no sentido oposto e caem nos ovários ou na cavidade abdominal, onde voltam a multiplicar-se e a sangrar. Vão funcionar de forma semelhante as que estão revestindo o útero, isso quer dizer que elas vão "menstruar" também e, é essa menstruação no lugar errado que é responsável por grande parte dos sintomas da doença.
As causas
Pode haver algo diferente no sistema imunológico das mulheres que desenvolvem a endometriose em comparação ao sistema imunológico das que não apresentam a doença.
Às vezes, ela pode ser passada para as gerações seguintes de uma mesma família. Embora, normalmente, seja diagnosticada entre 25 e 35 anos, a doença provavelmente começa quando a menstruação regular inicia.
Uma mulher cuja mãe ou irmã tem endometriose apresenta seis vezes mais probabilidade de desenvolver endometriose do que as mulheres em geral.
Outros possíveis fatores de risco:
>> Começar a menstruar muito cedo
>> Nunca ter tido filhos
>> Ciclos menstruais frequentes
>> Menstruações que duram sete dias ou mais
>> Problemas como hímen não perfurado, que bloqueia a passagem do sangue da menstruação
Os sintomassintomas-endometriose
>> Cólica menstrual ( ou dismenorreia) – é o principal sintoma. Com a evolução da doença, aumenta de intensidade e pode incapacitar as mulheres de exercerem suas atividades habituais. 
Uma das principais causas da demora no diagnóstico da doença é a não valorização adequada da cólica menstrual, principalmente aquela que já existe há algum tempo e que os analgésicos e antiinflamatórios já não aliviam muito.
>> Dor durante a relação sexual ( ou dispareunia) - Geralmente a queixa inicial é apenas um incomodo e, com o passar do tempo começa a ser de dor. Esta dor é progressiva e, em estágios avançados torna impossível a relação sexual. Aparece quando a penetração é profunda e tende a ser mais intensa no período pré-menstrual.
>> Infertilidade - Cerca de 40% das mulheres com infertilidade tem a doença, por isso terão alguma dificuldade na hora de engravidar.
Toda essa reação inflamatória acarreta deformação dos órgãos do aparelho reprodutor, diminuindo a capacidade de a mulher engravidar.
Porém, na maioria das vezes, a infertilidade pode ser revertida com tratamentos específicos. Na pior hipótese, a mulher é submetida a um tratamento de fertilização in vitro, que tem apresentado altas taxas de sucesso, mesmo em mulheres com antecedentes de endometriose
>> Cisto de ovário (ou endometrioma) - Algumas mulheres descobrem que tem endometriose só quando aparece um cisto de ovário em uma ultra-sonografia de rotina. Este cisto se forma devido ao implante de endometriose dentro do ovário. Ele pode, com o passar do tempo, crescer e danificar o restante do ovário sadio, por isso sempre que houver suspeita de crescimento ele deve ser removido cirurgicamente.
Outros sintomas:
Pode invadir a bexiga causando sintomas urinários: como cistites e sangue na urina.
Pode, também, atingir o intestino e o reto, levando a problemas intestinais no período menstrual. 
O diagnóstico exames-ginecologicos
Diante da suspeita de endometriose, o exame ginecológico clínico é o primeiro passo para o diagnóstico, que pode ser confirmado pelos seguintes exames laboratoriais e de imagem: visualização das lesões por laparoscopia, ultra-som endovaginal, ressonância magnética e um exame de sangue chamado marcador tumoral CA-125, que se altera nos casos mais avançados da doença. O diagnóstico de certeza, porém, depende da realização da biópsia
O tratamento
A endometriose é uma doença que não tem cura, mas regride espontaneamente com a menopausa, em razão da queda na produção dos hormônios femininos.
O tratamento normalmente inicia-se com medicamentos para a dor, os mais usados são os anti-inflamatórios, mas estes remédios são apenas sintomáticos e não agem diretamente na doença.
Mulheres mais jovens podem valer-se de medicamentos que suspendem a menstruação: a pílula anticoncepcional tomada sem intervalos e os análogos do GnRH (hormônio que causa uma menopausa temporária, impedindo a liberação de estrogênios e cessando a menstruação. O tratamento reduz a dor em 80% dos pacientes e ajuda a diminuir o tamanho da endometriose)
Lesões maiores de endometriose, em geral, devem ser retiradas cirurgicamente.
Quando a mulher já teve os filhos que desejava, a remoção dos ovários e do útero pode ser uma alternativa de tratamento.
Fique alerta
A endometriose pode voltar, por isso é importante que a mulher que tenha a doença vá ao seu ginecologista pelo menos uma vez a cada seis meses e esteja sempre em uso de alguma medicação hormonal para diminuir a chance da doença retornar.

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