São João do Maranhão – parte 1

Bumba-meu-boi O nordeste é assim: uma explosão de cores, sabores, sons, movimentos, cheiros… São João então, é um dos melhores momentos pra curtir e se encantar.
Se você já visitou a região e acha o mesmo, sabe do que estou falando. E se não concorda comigo, talvez não tenho viajado para o lugar e/ou nem com as pessoas certas.

Hoje, quero mostrar um pouco do Maranhão pra você: O São João do Maranhão!
E pelo jeito, não vou conseguir fazer isso só num post, então preparem-se para um verdadeiro manual do São João do Maranhão!

Primeiro quero falar do Bumba-Meu-Boi – a mais conhecida brincadeira dos festejos juninos no Maranhão, estando fortemente ligado ao ciclo de homenagens aos santos Antônio, João, Pedro e Marçal. É um dos traços culturais marcantes na cultura brasileira, principalmente na região Nordeste. Resultado da união de elementos das culturas européia, africana e indígena, com maior ou menor influência de cada uma dessas culturas.
A dança surgiu no século XVIII, como uma forma de crítica à situação social dos negros e índios. O bumba-meu-boi combina elementos de comédia, drama, sátira e tragédia, tentando demonstrar a fragilidade do homem e a força bruta de um boi.

A Lenda: Numa fazenda de gado, Pai Francisco mata um boi de estimação de seu senhor para satisfazer o desejo de sua esposa grávida, Mãe Catirina, que quer comer língua. Quando descobre o sumiço do animal, o senhor fica furioso e, após investigar entre seus escravos e índios, descobre o autor do crime e obriga Pai Francisco a trazer o boi de volta. Pajés e curandeiros são convocados para salvar o escravo e, quando o boi ressuscita urrando, todos participam de uma enorme festa para comemorar o milagre.

Hoje em dia, os grupos não fazem mais a dramatização nas apresentações ao público durante os festejos juninos, mas preservaram, nas toadas, a seqüência da apresentação: o guarnicê, quando o amo do boi chama o grupo para começar a apresentação; o lá vai, aviso de que a brincadeira está se dirigindo ao local da apresentação; a licença, que é a permissão para que o grupo se apresente ao público; a saudação, quando são cantadas toadas de louvação ao dono da casas e ao boi; o urrou, momento que celebra a alegria de todos pelo restabelecimento do boi depois de ter sido sacrificado e a despedida, quando a brincadeira é encerrada.

O bumba-meu-boi maranhense é dividido em “sotaques”, ou seja, estilos, tipos, os quais representam versões ou faces da brincadeira, sendo os mais conhecidos:
Zabumba - caracterizados pelo ritmo cadenciado marcado por grandes tantãs conhecidos como zabumbas. Nos grupos desse sotaque, a personagem mais característica é o rajado. São homens que fecham o cordão da brincadeira e que chamam a atenção por seus grandes e pesados chapéus de fitas coloridas e estampadas.

Boi de Orquestra Bois de orquestra tem sua dança embalada por instrumentos como banjo, clarinete, piston e bumbo e um forte apelo popular, sobretudo nos arraiais juninos, pela variedade de cores de sua indumentária e pela sonoridade de seus instrumentos. O cordão é formado por brincantes trajados com peitilho e saiote bordados com miçangas e canutilhos e chapéu enfeitado com fitas coloridas. Com um maracá na mão, são os responsáveis pelo balanceio do boi.

Matraca ou da Ilha devido à sua origem na ilha de São Luís. (Meu preferido!)Nesse sotaque há predominância de matracas (duas tábuas de madeira) e pandeirões (grandes rodas de arco de madeira cobertos de couro de cabra) dentre os seus instrumentos, tocados por grande número de brincantes com uma especificidade: os bois de matraca permitem uma maior participação Boi de Matraca do público uma vez que qualquer pessoa com um par de matracas pode ajudar o grupo em suas apresentações.
Os grupos de matraca distinguem-se dos demais por possibilitar a participação de brincantes sem indumentária. Destacam-se como personagens desses grupos: os caboclos de pena, brincantes cobertos de penas de ema, inclusive com grandes coroas de cerca de um metro e meio de diâmetro. O pai Francisco, homem que leva um facão de madeira abrindo caminho para o boi passar; e a burrinha, armação de buriti na forma de um burro, coberta de pano e sustentada por suspensórios nos ombros de um brincante.

Cazumba O subgrupo da Baixada é conhecido como sotaque de Pindaré ou Pandeirão. Não há consenso entre os estudiosos do folclore maranhense sobre a classificação desses grupos, sendo considerado um quarto sotaque por uns ou um subgrupo por outros.
Os grupos têm instrumentos e indumentária peculiar. As matracas tocadas pelos brincantes são de tamanho menor se comparadas às dos grupos do sotaque da Ilha. Nesses grupos há uma personagem característica: os cazumbás, pessoas vestidas com largos chambres estampados que rebolam à medida que fazem soar seus chocalhos. Os cazumbás são caracterizados por grandes máscaras feitas artesanalmente lembrando bichos com grandes focinhos.

O tradicional ciclo da festa do boi constitui-se de quatro etapas básicas:
- ensaios (de caráter preparatório, que vão do sábado de aleluia até o dia de Santo Antônio - 13 de junho - ou ao sábado mais próximo deste, quando se dá o ensaio redondo - fecho dessa fase);
- batismo (em que o boi recebe as bênçãos de São João, a 23 de junho - véspera do seu aniversário, estando pronto para começar a temporada anual);
- apresentações públicas juninas (que se estendem até o final do mês de junho, numa verdadeira maratona de brincadas em “arraiás” ou largos e nos mais variados terreiros (locais) que contratam os bumbas);
- e festa da morte do Boi (marco final da boiada do ano acontece, do fim do mês de julho até outubro, novembro, em meio a grande animação nos rebanhos ou sedes dos grupos, com a participação de um expressivo público).
O bumba-meu-boi possui diversas denominações em todo o Brasil. No Maranhão, Rio Grande do Norte e Alagoas a dança é chamada de bumba-meu-boi, no Pará e Amazonas, boi-bumbá, em Pernambuco, boi-calemba, na Bahia, boi-janeiro, etc.

Continua…

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