Aquiles - “Os eleitos dos deuses morrem jovens”

Aquiles “Um cão não julga os outros por sua cor, credo ou classe, mas por quem são por dentro. Um cão não se importa se você é rico ou pobre, educado ou analfabeto, inteligente ou burro. Se você lhe der seu coração, ele lhe dará o dele.” Marley e Eu – John Grogan
Hoje, meu coração amanheceu silencioso e triste. Perdi um amigo e essas coisas são difíceis de digerir.
Não sei porque cargas d’água a gente se apega tanto a bichos e quando os perdemos, parece que foi um membro da família que se foi. Mas, afinal, eles não se tornam mesmo?
Aquiles era nosso rottweiler.  Quando meu irmão foi em busca de um cão, o atendente da veterinária foi honesto em sugerir que não comprasse ele. O bichinho era o ‘patinho feio’ de uma cria de filhotes perfeitos: suas patas eram ligeiramente tortas e a ponta da língua sempre ficava pra fora, mesmo quando a boca estava fechada! rsrs Tempos depois, quando voltou à veterinária, Aquiles estava mais forte e bonito do que seus irmãos.
Mas não dizem que são os cachorros que nos escolhem e não o contrário? Pois é, meu irmão foi o escolhido naquele dia.
Quando chegou lá, em casa, era a bolinha de pêlo mais fofa que já tinha visto. Foi crescendo e as meias não paravam mais nos sapatos… aliás, nem os sapatos ficavam nos lugares que colocávamos! rs
Ele cresceu. Enorme, lindo e assustador pra quem não o conhecia. Pra nós, ele era um doce, carinhoso, bobo e desajeitado.
Não podia ver uma mão descansando que já punha o focinho por baixo, em busca de carinho. Também não tinha noção do próprio tamanho, derrubava minha sobrinha numa simples brincadeira; se jogava no chão, esperando um pé pra lhe fazer um cafuné; conhecia os nossos passos, o barulho do carro encostando na porta de casa e quando meu irmão assobiava, ele ia como um louco, levando tudo na frente, encontrá-lo no portão. Às vezes, com a sua bolinha na boca, pronto pra brincar ou simplesmente pulava sobre ele, com as patas imundas, sujando a roupa de trabalho.
Parecia ter noção das coisas, pois quando fazia algo errado e olhávamos feio pra ele, baixava a cabeça, evitava nos olhar nos olhos… como uma criança, depois de fazer uma travessura.

Esse era Aquiles: teimoso, lindo, monstruoso… mas dócil como um gatinho! Dava até vergonha, um cachorro daquele tamanho ser tão manso. rsrs
Mas agora… O que nos resta são as lembranças, a coleira e o vazio.
Ele não vai mais dormir embaixo da janela do nosso quarto, no quintal. Não vai nos saudar, balançando o cotoco de rabo, quando chegarmos em casa… Não vai mais choramingar, querendo carinho… Não vai mais estar no terraço, seguindo a mangueira, querendo ser molhado… E a bolinha de borracha vai ficar lá… quem vai querer brincar sem ele?
Apesar de não morar mais com meu irmão, tenho milhares de lembranças daquele que foi um amigo leal, teimoso, engraçado, carinhoso… que vai continuar vivo em meu coração, pra sempre.

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