O Caso de Miguel

O Caso de Miguel Primeira Parte

Miguel é um artista, solteiro, boa aparência, 33 anos de idade. Eis a seguir, como foi percebido por diversas pessoas em um determinado dia X.

Relato da Mãe:

“Miguel levantou correndo, não quis tomar café, não ligou para o bolo que eu tinha feito especialmente para ele. Só apanhou cigarros e fósforos. Não quis botar o cachecol que eu dei. Disse que estava com pressa e reagiu com impaciência a meus pedidos para se alimentar e se abrigar. Ele continua sendo uma criança que precisa de atendimento, pois não reconhece o que é bom para si próprio. Precisa que alguém tome conta dele, pois não sabe se cuidar.”

Relato do Chofer do Táxi:

“Hoje apanhei um sujeito que não fui muito com a cara dele. Estava de cara amarrada, seco, não queria saber de conversa. Eu bem que tentei falar de futebol, de política, sobre o tráfego de crianças e sempre me mandou calar a boca, dizendo que tinha de se concentrar. Desconfio que ele é um cara subversivo, desses que a polícia anda procurando ou um desses sujeitos que assaltam chofer de táxi para roubar. Aposto que andava armado. Fiquei louco para me livrar dele.”

Relato do Garçom da boate:

“Ontem à noite ele chegou aqui, acompanhado de uma morena que era uma máquina, mas não dava a mínima bola para ela. Passou o tempo todo olhando para tudo quanto era mulher que chegava. Quando entrou uma loura de vestido colante, daqueles de endoidar monge velho, me chamou e queria saber quem era. Como eu não conhecia, não teve dúvidas: foi na mesa falar com ela. Disfarcei e passei por perto e só pude ouvir que ele marcava um encontro para às 9 horas da manhã, bem nas barbas do acompanhante dela. Sujeitinho peitudo! Eu também dou meus pulos, mas essa foi demais…”

Relato do Zelador do edifício:

“Ele não é muito certo da bola, não. Às vezes cumprimenta, às vezes finge que não vê ninguém. As conversas dele a gente não entende. É parecido com um parente meu que enlouqueceu. No dia X, de manhã, já chegou até falando sozinho. Eu dei bom dia e ele me olhou com um desses olhares estranhos e disse que tudo no mundo era relativo, que as palavras não eram iguais para todos e nem as pessoas. Deu-me um cutucão no braço e apontou para uma senhora que passava. Disse que cada um olhava para ela de uma maneira diferente. Disse também que quando pintava um quadro, aquilo é que era realidade. Dava risadas, está na cara que ele é lunático.”

Relato da Faxineira:

“Ele andava sempre com um ar misterioso. Os quadros que ele pinta a gente não entende. Quando ele chegou, na manhã do dia X, me olhou meio enviesado e eu tive um pressentimento de que ia acontecer alguma coisa ruim. Pouco depois chegou uma loura. Ela me perguntou onde ele se encontrava e eu disse. Daí a pouco, eu ouvi ela gritar e eu acudi, correndo. Abri a porta de supetão e ele estava com a cara furiosa, olhando para ela, cheio de ódio. Ela estava jogada no divã e no chão tinha uma faca. Eu saí gritando: assassino, assassino!!”

Com base nos relatos, qual a impressão que você tem sobre o Miguel?

O que você presume que tenha ocorrido no dia X?

Em breve, darei a resposta!

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